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Sobre

Eletroconvulsoterapia

A Eletroconvulsoterapia no Séc. XXI

A Eletroconvulsoterapia (ECT) provavelmente é a modalidade terapêutica com o maior estigma na psiquiatria, e da mesma maneira é a mais injustiçada. Essa visão negativa por parte da sociedade, é derivada de histórias sobre tratamentos agressivos e desumanos realizados décadas atrás em instituições chamadas de manicômio.  Eu posso lhes garantir que nada disso é praticado na atualidade. Vou tentar quebrar um pouco desse preconceito.

Começando pelas indicações, o tratamento é indicado em situações muito específicas e graves, como: Depressão melancólica (com sintomas psicóticos), Transtorno bipolar em mania, surto psicótico, catatonia, TOC grave, etc. 

É importante ressaltar que as medicações utilizadas no tratamento dessas condições graves, possuem diversos efeitos colaterais, além disso ''Tempo é Neurônio'', ou seja, quanto mais o paciente permanece em crise, aguardando respostas às medicações, mais consequências permanentes ele pode desenvolver.  Assim, o tratamento mais incisivo, através da ECT deve ser visto como uma excelente alternativa. 

Uma vez indicado o tratamento, ele sempre será discutido com a família, e um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) deverá ser assinado por um dos responsáveis. Os ciclos de tratamento envolvem entre 8 a 12 sessões (com algumas exceções), que geralmente são realizadas duas por semana (de modo que dura aprox. 1 mês). Antes de iniciarmos, uma avaliação clínica deverá ser realizada por um clínico ou cardiologista (semelhante ao ''risco cirúrgico'').

As sessões devem ser realizadas em um ambiente com equipe e estrutura adequados, e isso inclui um anestesista experiente. O paciente precisa ser monitorizado (eletrocardiograma, oximetria e eletroencefalograma) e ter um acesso venoso. 

Com o paciente no leito e toda a equipe pronta, realiza-se o ajuste nos parâmetros do aparelho a depender de algumas variáveis, como idade, a resistência identificada pelo aparelho e a resposta terapêutica em sessões anteriores (ajusta-se a voltagem, corrente, amperagem e tempo). 

O anestesista administra as medicações (sedativo, geralmente o Propofol, e um bloqueador neuromuscular, para que o paciente não apresente contrações musculares vigorosas durante a crise, diminuindo a dor na recuperação), e quando o paciente estiver inconsciente, um estimulo elétrico é realizado durante um curtíssimo espaço de tempo, como 0,5 seg. É importante ressaltar que não é o eletrochoque em si que possui algum efeito terapêutico, mas sim a crise convulsiva que se inicia a seguir, inclusive nos primórdios da psiquiatria, crises convulsivas eram estimuladas através de uso de cânfora ou coma insulínico.

Como dito acima, é importante que o estímulo elétrico desencadeie uma crise convulsiva eficaz, que é avaliada pela variação da frequência cardíaca basal do paciente. Normalmente as crises são autolimitadas e duram menos que 1 minuto. Na grande maioria das vezes o paciente não necessita de suporte ventilatório após a crise, o sedativo utilizado tem um curto período de ação e então logo o paciente começa a retomar sua consciência. É comum o paciente apresentar alguma confusão mental nas primeiras horas, assim como náuseas, cefaleia e tontura. Alterações de pressão arterial ou frequência cardíaca também podem acontecer. 

Durante o tratamento o paciente pode apresentar perdas de memória, normalmente as amnésias são transitórias, mas em alguns casos podemos  observar amnésias permanentes. Raramente pode ocorrer alterações de personalidade e até alterações nos sintomas.
Algumas medicações deverão ser suspensas durante o tratamento, principalmente as que apresentam ação anticonvulsivante. 
As principais contraindicações ao tratamento são: doenças cardíacas ou pulmonares graves, tumores e aneurismas intracranianos e AVE recente. Não é contraindicado em gestantes, epilépticos e em pacientes com craniotomia. 

ESPERO QUE TENHA RESPONDIDO A MAIORIA DAS SUAS DÚVIDAS, CASO LHE RESTE ALGUMA, ENTRE EM CONTATO QUE TEREI O PRAZER EM RESPONDER. 

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